sexta-feira, 26 de março de 2010

Não se deixe levar...

...pelos desejos. São exatamente 23:27h, não tomei banho e vou ter que acordar mais cedo amanhã para conseguir fazer minha higiene pessoal, estou morrendo de sono e sinto que devo deitar na cama e dormir, ao som das gotas de chuva. Não consigo, um sentimento de frustração, angústia e dúvida me prende aqui. Sinto lágrimas chegarem aos meus olhos e persisto em deixá-las ali, apenas nos olhos. Estou nervosa, com dores no estômago e uma recente dor de cabeça se formando. O vício parece tomar conta de mim, minha vontade de sair daqui, ir até o armário e pegar aqueles malditos comprimidos esta me deixando louca. Não vou, sou melhor do que isso. Sou melhor do que essa sensação de necessidade que percorre o meu corpo inteiro, pedindo de uma mísera dose para me anestesiar de toda essa angústia. Não. Não vou. Anestesio-me sozinha, mantenho a calma, escrevo e deposito a minha angústia aqui. Maldito vício. Malditos vícios. E ainda me perguntam por que eu nunca experimentei cigarro, maconha, gudan, lsd, ou qualquer tipo de droga lícita ou ilícita que existe só por pura diversão ou questão de conhecimento, coisa de jovem, não me resta mais nada a dizer a não ser: por que eu não quero, simples. E por que não querer? Estaria eu mentindo? Sim, estaria, estou, e sempre vou estar mentindo quando digo que não quero experimentar. Quer saber a verdade? Eu quero, mas isso não quer dizer que eu vá fazê-lo. Sei bem como eu sou, me viciarei facilmente se experimentar de algo alucinógeno, ou que de alguma maneira seja bom. Eu sou assim, me apego fácil as coisas e pessoas, e para largar depois, não há quem consiga me convencer, a não ser eu mesma. Nem amigas, nem namorado, nem amigos e nem familiares. Convivo com isso e conheço pessoas que convivem com isso também. Tenho vontade de fazer com que todos parassem com os seus devidos vícios, seja de drogas, de álcool, de cartas, por mais que seja difícil. E o pior de tudo é mesmo conviver com isso, João é um dos meus melhores amigos e ele não quer e acredito que não conseguiria parar de fumar cigarro, sente necessidade disso, e necessidade mesmo, com a falta do maldito ele nem parece o mesmo, inclusive, por mais que ele se sentisse mal, foi capaz de me pedir permissão para fumar na minha casa, e o que iria eu dizer? Não? Não fui capaz disso, maldito dia em que eu não o fiz resistir. Nunca tentei fazê-lo parar, ele sabe que eu não gosto disso, mas o fato de eu não gostar não faz com que ele pare, vou tentar, por mais que seja em vão. Péssimo. Esforços em vão são tão doloridos. Sinto uma dor cortante quando vejo que meus esforços para o bem de uma pessoa não passaram de meras tentativas frustradas. Frustração. Não quero passar por isso novamente. Pedro se sente bem quando fuma gudan ou usa lsd ou qualquer tipo de droga. Ele tem sérios problemas familiares, é meio revoltado, anarquista contra o sistema. Quer morrer cedo. Eu o amo. E vou fazê-lo parar. Ele não é viciado, acredito eu. Consegue parar se tentar, bem diferente de João, que acredito que não conseguiria, 3 anos de vício é muito tempo, para curar só a sua própria força de vontade. Mas Pedro, por mais que não tenha força de vontade ama a mim também, e acredito que por mim ele conseguirá se desfazer dessa vontade, ou, enganá-la, escondê-la, desviá-la. Conseguirá, por mim. Se não conseguir, vou me frustrar novamente, mas me frustrarei com mais intensidade. Saber que você não foi forte o suficiente para acabar com uma vontade é mais do que desanimador. Quero eu poder substituir essa vontade, quero eu passar a ser esse vício do me faz bem. E como eu, que vou sofrer com dores de estômago e noites em claro para me curar disso, sei que ele sofrerá também. Mas de que vale mais à pena? Sofrer agora para não sofrer mais depois? Acredito que sim. Não sei o que faria se Pedro não conseguisse parar com isso. Seguir a razão ou o coração é o melhor a fazer? Não sei, não quero pensar nessa possibilidade, a possibilidade da frustração e da dúvida. Poderia eu ter um guia capaz de me responder todas essas perguntas que eu ando me fazendo com mais frequência agora. A essas e a outras inúmeras perguntas sem respostas que assombram as minhas noites e meus pensamentos diários. Agora só sei de uma coisa, nunca vou experimentar mais nenhum tipo de droga pela qual eu seja capaz de adquirir um vício novamente mais tarde. Recomendo isso a todo mundo, e recomendo também que não tomem remédio sem razão, doenças psicológicas perturbam em tempo integral.

P.S.: Agora são 23:55 e acho que devo ir dormir, sem remédios.
P.S.2: Por mim Pedro, adquira forças de vontade e veja que será melhor pra você.
P.S.4: Não tente descobrir os personagens se você não é um deles, obrigada.
P.S.5: Se for pra viciar, vicíe-se em chocolate ou jujuba, bem mais morrer de diabetes. (ou não)
P.S.6: Mijuli te, sempre.
P.S.7: Agora são 00:04 e o Blogger não quer postar.

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