quarta-feira, 21 de abril de 2010

O amor é assim, não é?

Acordo sem vontade de levantar e passar o dia, nada faz sentido, não é fácil entender. Tenho medo que chegue a hora em que se separam os trilhos do trem, tenho medo da hora em que não possa mais enxergar o horizonte, e de não saber mais o que fazer. O jogo que nunca termina, a razão e o coração me consomem. Eu estou confusa, com fome, sede, frio, meu pensamentos voam e minha cabeça nunca para no lugar, ou, eu simplesmente empaco no tempo, não penso, não respiro. "Por que a ausência intensifica o amor?" " Tenho a sensação de que cada minuto de espera é um ano, uma eternidade. Cada minuto é lento e transparente como vidro. A cada minuto que passa, vejo uma fila de minutos, à espera."

"_Oi - digo.
_ Você sente falta dele alguma vez? - ela me pergunta.
_ Todos os dias. A cada minuto.
_ A cada minuto - ela diz - Sim. O amor é assim, não é? - Ela vira de lado e afunda no travesseiro.
_ Boa noite - digo, apagando a luz. Quando estou parada no escuro olhando para vovó deitada na cama, a depressão toma conta de mim como se eu tivesse levado uma injeção de tristeza. O amor é assim, não é?"

Todos os dias, a mais de uma semana eu venho me perguntando que caminho seguir, se, afinal, a vida é feita de escolhas. Qual caminho seguir, dúvida cruel. Tão cruel. Me pergunto por quanto tempo minhas dúvidas vão me consumir. Minha vontade agora seria sem dúvida correr para os braços mais aconchegantes e acolhedores que eu conheço. Minha vontade seria ficar parada ali até que o mundo acabasse. Minha vontade seria que tudo a minha volta sumisse, e só restasse eu, os braços acolhedores, e nosso sofrimento mútuo, sendo curado junto. Minhas vontades não podem ser atendidas. Cada vez mais eu vejo as possibilidades de realizá-las escaparem pelas minhas mãos. São tantas pedras no caminho, tantos obstáculos. Vale a pena ultrapassá-los? Não sei, não sei mais. Enquanto o meu coração não para de gritar por o seu nome e dizer que nada mais me resta a não ser ele, que se o mundo nos afastasse mais do que o possível ele sofreria mais que as pobres ovelhas sem alimento e lã no inverno, que sofreria até a dor esgotar, as lágrimas secarem e o coração murchar, a razão, insensível e sem noção do que é o amor, me assombra, me tortura, me congela. Dois caminhos, tão distintos, e eu não imagino qual seguir. Não quero ter que escolher entre eles. Quero que haja destino, quero me poupar das escolhas. E seja la o que o universo, os anjos, espíritos, deuses ou o que for me reservar, que seja bom, e que esteja certo. Que os nossos destinos terminem bons, tanto o meu, quanto o dele. Não aguentaria vê-lo sofrer, não aguento mais. Por que a vida é tão difícil assim? Quantas perguntas. Tudo esta me confundindo. Vou dar tempo ao tempo. Que o tempo cure as nossas feridas ou as escondam em algum lugar. E que não encontre portanto as feridas no futuro, como vai doer. A dor do arrependimento. Ando tão confusa que nem consigo ligar as coisas. Nem versos sou capaz de fazer. Não consigo nem juntar as sílabas para tudo o que eu sinto agora. É tão complexo. Que peça foi essa que o destino me pregou. Por que se apaixonar pelo errado, que torna-se tão certo. Por que se apaixonar pelo imperfeito, que tornou-se feito em medida. Quantas perguntas, nenhuma resposta. A tristeza as vezes bate tão forte a nossa porta que nem sabíamos que éramos capazes de sentir tanto.



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