quarta-feira, 21 de julho de 2010

Só mais um dia daqueles.

Acordar meio dia as vezes é decepcionante. Você desperta para a vida na hora do almoço, nem toma café, perde umas três ou quatro horas dormindo quando você poderia estar fazendo outras coisas. Hoje acordei em um salto quando minha mãe bateu na minha porta avisando que o almoço estava pronto. Fiquei uns cinco ou seis minutos -ou talvez fossem alguns segundos- só tentando processar como seria o meu dia de hoje. Finalmente levantei, lavei meu rosto e coloquei uma roupa, aquelas que você coloca só pra não andar de calcinha dentro de casa em plena luz do dia -pois convenhamos, dormir só de calcinha e camiseta é a melhor coisa que tem-. E então fui almoçar. Almocei em silêncio e só prestei atenção no assunto dos meus companheiros. Não gosto de falar na mesa. Não gosto de perder o meu tempo de almoço falando. Como rápido. Um assunto me chamou a atenção e não esperava que me dixaria tão triste. ''Acho bom o Arthur não ir, ele é criança, tem uma idade diferente da de vocês Vini, ele vai ficar em casa.'' Meus planos da tarde foram pelo ralo só porque meu irmão não vai sair de casa, e eu vou ter que ser babá, de novo. Então levantei, coloquei meu prato na mesa e peguei o telefone. Fui até a rua, me sentei no sol e esperei até que ele o atendesse. Esperei com a maior calma do mundo. Ele atendeu. Ele nunca atende, mas hoje, ele atendeu. Avisei que não poderia ir e ele pareceu entender. Depois desligamos. A ligação deve ter durado um minuto, no máximo. Nossas ligações duravam mais de meia hora, mas acabaram. Respirei fundo e voltei para dentro de casa. A voz dele não era a mesma animação de antigamente. Era apagada agora. A minha voz também não deveria ser a mesma. Tive a impressão de falar para dentro. Como se eu engolisse as palavras que lutavam para sair da minha boca. Depois sentei na minha cadeira e olhei para a cama arrumada, vazia. Vi ele sentado lá. Sorrindo. Depois olhei para o outro lado e lá estava ele sentado novamente. Dessa vez com um pedaço de papel na mão. Segurando o choro. Era uma carta, minha. Depois comecei a lembrar do que aconteceu quando ele terminou de ler. Um abraço, forte e sincero. ''Obrigado, Amanda. Eu te amo.'' Um súbito me fez pegar o telefone e ligar de novo. Senti vontade de dizer tudo, tudo que ainda fica preso dentro de mim. Esperei chamar. Chamou uma ou duas vezes. Mas desisti. Desliguei o telefone. Tudo o que eu devia ter dito eu ja disse. Meses atrás. Ja lutei, ja pedi, ja tentei. Mas nada o fez mudar de idéia.  Agora só existe uma coisa. Que eu finjo para mim. Eu finjo para ele. Só tem mais uma coisa a dizer. ''I love only you!''

''Have I ever told you

How good it feels to hold you

It isn't easy to explain''
Ramones

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