Quando se possui um lugar para depositar seus pensamentos, de preferência um papel e uma caneta, por um segundo o mundo inteiro parece girar apenas ao seu redor. Os problemas que existem são só seus, e de todas as pobres almas pertencentes a esse universo que não faz sentido algum, a sua está ali à deriva, desabafando com uma agenda. Fazer isso as vezes me remete uma enorme sensação de solidão. É como se eu estivesse ali escrevendo porque não tenho em quem depositar todas essas filosofias e dores. Por mais que eu tenha, claro, porque todo mundo tem de ter ao menos um amigo imaginário. É como se ninguém fosse capaz de entender. Muitas pessoas partilham dos mesmos problemas mas mesmo assim é como se não entendessem. Vai tudo de acordo com a interpretação de cada um. Ontem enquanto eu sofria mais um dos meus devaneios no banho tive uma visão muito clareadora sobre essa questão de interpretação. Pensei em um filme. Nenhum em especial, na verdade, um filme que eu inventei. Você como roteirista da os passos dos seus personagens, mas não exemplifica nenhuma emoção. Uma cena desse filme é uma despedida. Enquanto escrevia você pensava que ambos estavam muito tristes com a partida um do outro, de verdade. Então você entrega seu roteiro para um diretor e espera para ver o resultado do seu trabalho em uma tela de cinema. No filme, apesar da base da historia ser a mesma, ela se torna totalmente diferente. A interpretação dos diretores foi outra. Na despedida, a mulher chora mas o homem... Não é o mesmo que você havia imaginado. Colocaram em sua face expressões que no papel ele não possuía. Ele era sério, seco. Tinha uma cara fechada, como a de quem não se deixa emocionar. E o filme em que você passara noites e noites imaginando, não foi mais que uma interpretação errada na vida. É como ler uma história sem final. Cada pessoa cria um final alternativo de acordo com a sua própria personalidade. Interpretações variam. E enquanto eu estou aqui, escrevendo para vocês as coisas que mais me intrigam, milhares de pessoas estão lá fora tentando entender os problemas dos outros, e não conseguem. Porque não vivem as mesmas vidas. Porque não pensam da mesma maneira. Cada qual faz uma interpretação diferente. E é por isso, que nunca terá algo que me pareça ser melhor do que desabafar com um papel e uma caneta.
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