terça-feira, 17 de maio de 2011

Mil voltas em um só lugar.

caindo, parando, saindo de si
chorando, correndo, tentando fugir
não quero mais
correr para todos os lados
dirigindo
por estradas desconhecidas
sem direção
para chegar mais uma vez
na sua porta
mas você acabou de sair
pegou algumas mudas de roupa
jogou na mala de viagem
e saiu
por que?
por que esqueceu a janela aberta?
para eu pular
dormir na sua cama
desarrumada
como a despedida
inesperada
por que?
você deixou o relógio
em cima da mesa
por que?
você deixou as luzes
acesas
por que?
na gaveta aberta, você deixou
aquela lágrima
que faltava cair
junto com as cartas
embrulhadas em papel de seda
com o porta retrato
caído, quebrado
o som
da caixinha de música
acordou aquela moça que dormia
embaixo do chuveiro
acordou, aquela moça
do casaquinho vermelho
que chegou ontem a noite
enquanto alguém saía
mas deixou a janela aberta
esperando que a moça chegasse
enquanto saía
procurando um casaquinho vermelho
e uns olhos chorosos
quando saíu, sem avisar
depois da briga, da despedida
saio para procurar
desencontro
resolveu voltar
mas encontrou a porta aberta
roupas espalhadas pelo corredor
remorso
os móveis desarrumados
no quarto dormia
enrolada em lençóis brancos
enrolada
no medo
confuso
do fugir, e voltar
no medo
confuso
do desentendido
do desencontro
virando de um lado para o outro
sentou, no canto
e no reconforto
da segurança
abraçou
o corpo histérico
e com um beijo na testa
acalmaram-se um no outro
e então, depois da confusão
dormiram, e dormirão

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