Comeram-me hoje até as vísceras
E as poucas partes de mim,
que ainda me pertenciam
Me tomaram
Engoliram em um só gole
As poucas palavras que me restavam
Me rasgaram as folhas
Me calaram a voz
E os versos, em que me deito
Vão se esvaindo pelos cantos
A cama desfeita pela noite mal dormida
Permanece com os lençóis manchados pelo pranto
Esses seus olhos cansados
Mostram que de tudo
Não tens mais nada
Foste levada pelos infortúnios
E as migalhas caídas
Serão sugadas
Pelos dias de inverno mais frios
De uma vida amargurada
Resta-lhe apenas a esperança
De que na chuva,
haja dança
Para regar os girassóis.
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