
"Ela sabia que precisava dele. Pelo menos naquela noite chuvosa e sem grandes esperanças. Mas tinha medo da compulsão. De querer ele sempre e sempre e para sempre. E amanhã e depois. E de dia, e tarde, de madrugada. E não saber digerir tanto amor e tanto amor acabar lhe fazendo mal. Só mais um pouquinho, pensou. Uma lasquinha. Pra dormir feliz. Amanhã era amanhã. Depois ela resolvia…" Mas o amanhã chegou. Ela não conseguia mais se ver longe dele, não conseguia respirar sem sentir o seu ar, era impossível parar para pensar sem que a imagem do alto de cabelo parcialmente encaracolado e olhos verdes não viesse a sua cabeça. Era tão instantâneo. Ela não conseguia mais viver sem ele, e a compulsão chegou. A compulsão chegou com uma enxurrada de outros sentimentos, bons, e ruins. Mas os bons eram tão bons que chegavam a fazer com que os ruins se tornassem facilmente esquecidos. Era tanto amor. E quando tudo parecia ter terminado depois de uma explosão de vá pra puta que o pariu, esse amor a trouxe dor. A ausência dele a magoava, sugava seu ar, esmagava o coração e dilacerava suas vísceras, doía tanto. E ela passou dias sem dormir, chorava constantemente, não sabia o que fazer, havia perdido seu chão, sua base. E foi quando ela percebeu que fazia a mesma falta para ele que tudo se encaixou novamente. E a dor sumiu, junto com todos outros problemas. A experiência da falta e da ausência a fez dá-lo valor, e dando valor a ela também eles foram caminhando juntos. E o amor aumentou. Ela não sente mais medo da dor, ela aprendeu com ela, e não se importa de senti-la novamente só para saber que o tem ali. Com ela. Sempre que ela precisar. Ela não sente mais medo da compulsão que a toma conta. Ela não tem mais medo de querê-lo sempre e sempre e para sempre. E amanhã, e depois. Ela o quer, não sente medo disso. Ela o quer para todas as noites estreladas. Ela o quer para ver o pôr do sol. Ela o quer para aquecê-la no inverno. Ela o quer para um banho de mar no verão. Ela o quer para assistir ao show de pássaros no outono, e para sentir a grama roçando os pés descalços na primavera. Ela o quer para fazê-la rir com seu humor negro ou idiota. Ela o quer para fazê-la chorar de emoção. Ela o quer para fazê-la sentir triste, e depois fazê-la sorrir novamente e com mais intensidade. Ela quer seus cabelos para brincar. Quer se esbaldar em seu abraço apertado. Quer sentir seu hálito quente atingir-lhe o pescoço. Quer seus beijos doces, amargos, sensíveis, fofinhos, quentes ou com gostinho de café. Ela quer seu toque aveludado em sua pele. Ela quer suas carícias e seus desejos. Ela quer os seus sorrisos e até a sua cara de mal-humor. Ela quer a sua alegria contagiante. Quer sua preocupação. Ela não sabe como conseguiu querê-lo tanto. Não sabe explicar como se sente ao lado dele, tão surreal. Ela não sabe do seu futuro e nem mais do amanhã. Ela só sabe que o quer, sempre, do jeitinho que ele é para ela. E se ela poder viver com esse querer e poder para o resto da vida ela morrerá feliz, com a certeza de que ela precisa dele, todos os dias.
P.S.: Desculpem-me pelo post meloso, não tenho culpa de ter passado um domingo perfeito, ao lado dele.
P.S.2: Acho que amanhã o dia vai ser legal. :)
P.S.3: Bom fim de domingo para vocês.
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